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Caxias participa de projeto para destinação sustentável de resíduos sólidos

Iniciativa envolve 34 municípios das regiões Uva e Vinho, Hortênsias e Campos de Cima da Serra

Atualizada dia

A Prefeitura de Caxias do Sul é uma das 34 participantes do projeto Resíduos Serra, que terá como meta o desenvolvimento de alternativas tecnológicas que buscam a destinação sustentável de resíduos sólidos urbanos (RSUs), transformando-os em energia e produtos. O projeto é uma iniciativa do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra), do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (Cisga) e da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne). A pesquisa é desenvolvida pela Universidade de Caxias do Sul, por meio do Laboratório de Energia e Bioprocessos (Lebio), do Laboratório de Análises Ambientais (Latam), da Fazenda Escola e da Agência de Inovação (UCS iNOVA).

O prefeito Adiló Didomenico, que assinou o protocolo de intenções, definiu o dia 17 de setembro como um marco histórico para a região que, há anos, tenta encaminhar uma solução para um problema sério e de custo elevado à sociedade. “Estamos enterrando dinheiro, porque estes resíduos que são colocados em aterros sanitários podem ser transformados em energia e adubo”, argumentou.

Lembrou que, desde 2010, Caxias do Sul mantém um aterro sanitário de qualidade, aprovado e fiscalizado pelos organismos ambientais, mas que é uma tecnologia ultrapassada, proibida desde 2006 na Europa. Também citou que, recentemente, a Prefeitura confirmou investimento de R$ 3 milhões para melhorar as condições do espaço.

De acordo com o prefeito, cada um dos 34 municípios investirá valores para manter a pesquisa em andamento pela Universidade de Caxias do Sul. “Trata-se de um grande avanço, que trará economia às prefeituras, atrairá investimentos e resolverá um sério problema, que é o ativo ambiental que precisa ser, permanentemente, monitorado”, reforçou, ao destacar a importância da solução regional.

Conforme a presidente do Corede Serra, Mônica Beatriz Mattia, a destinação dos resíduos sólidos urbanos é um debate que se estende ao longo dos anos no Brasil. Segundo ela, os municípios gaúchos têm procurado alternativas mais seguras do ponto de vista econômico e ambiental para a disposição final dos seus resíduos sólidos. “Não podemos mais enviar o lixo para Minas do Leão e outros aterros. Já está mais do que na hora de mudar e, com esse projeto, a Serra Gaúcha vai se destacar no âmbito estadual e nacional”, apontou Mônica.

Segundo dados da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam-RS), atualmente há somente dois tipos de aterros em funcionamento no Rio Grande do Sul: controlado (inadequado) e sanitário (adequado). Enquanto o aterro controlado não oferece sistemas de tratamento de chorume ou impermeabilização do solo, o sanitário prevê todo o preparo do solo, com sistema de drenagem de chorume, além de realizar a captação e queima dos gases liberados.

Em 2019, de acordo com dados da Fepam-RS, 397 municípios faziam a disposição final dos resíduos em aterros sanitários, 85 em controlados e 15 enviavam para Santa Catarina. Entretanto, esta forma de disposição final implica na geração de um passivo ambiental, além de gerar custos elevados aos municípios. Outro fator é que, geralmente, os locais licenciados para a disposição dos resíduos no estado são distantes das sedes dos municípios, implicando no custo adicional do transporte.

Como funcionará o projeto

O projeto consiste na aplicação de duas técnicas de processamento: um processo bioquímico (digestão anaeróbia) e outro termoquímico (pirólise), que serão aplicados separadamente ao lixiviado (chorume) e a torta formada na prensagem do RSU. O projeto será desenvolvido em três fases.

Na fase I haverá caracterização dos RSUs gerados pelos municípios integrantes do projeto, ensaios em escala de laboratório das técnicas propostas no projeto e ensaios em escala piloto de ambas as técnicas.

Na fase II está prevista a instalação e operação de uma unidade teste com o objetivo de atender a legislação ambiental da Fepam-RS e validar os resultados obtidos na fase I.

Na fase III está prevista a instalação de uma unidade regional (em escala industrial) de geração de energia e produtos de valor agregado a partir dos RSUs.

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