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Educação propõe novas diretrizes para fortalecimento do EJA

Objetivo é criar as condições para evitar o abandono e qualificar os alunos para o mercado de trabalho

Atualizada dia

Para assegurar o direito universal à educação, mas também racionalizar a aplicação dos recursos públicos, a Secretaria da Educação (Smed) de Caxias do Sul avalia mudanças no formato atual da modalidade de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). No período de 2015 a 2020, de acordo com dados oficiais da pasta, o número de alunos atendidos recuou em torno de 70%, de 942 para 300. Em 2021, houve elevação para 491.

O valor a ser investido neste exercício será de quase R$ 6,2 milhões, com custo estimado próximo a R$ 12,6 mil por aluno. O atendimento é feito em seis escolas do Município, envolvendo 70 servidores, distribuídos dentre diretores, vice-diretores, coordenadores pedagógicos, secretários, professores, merendeiras e serviçais. O EJA é uma modalidade de ensino formada por público heterogêneo, constituído por jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso e/ou oportunidade de estudo no ensino fundamental, cujo perfil vem mudando em relação à idade, expectativas e comportamento.

O cenário atual, bem como as alternativas em análise para manter o EJA em funcionamento, mas dentro de uma nova realidade, foram apresentados pela secretária Sandra Negrini, em audiência pública organizada pela Comissão de Educação da Câmara de Vereadores. As propostas seguem orientações contidas na resolução número 01, de 28 de maio de 2021, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.

A principal mudança é que o EJA seja vinculado ao mundo do trabalho, respeitando as aspirações e as condições dos alunos. Nesta linha, é estudada a possibilidade de parceria com o Sistema S, para os anos iniciais, com uso de metodologia, definida pelo reconhecimento de saberes, que identifica, valida e certifica as competências e habilidades adquiridas pelas experiências de vida e trabalho do estudante.

Também é analisada a adoção de turmas no diurno e noturno para os anos iniciais, ampliando as possibilidades para aqueles que não conseguem frequentar nos horários oferecidos atualmente. Proposta flexível também é sugerida com relação aos tempos e espaços dos alunos que necessitam

acessar a educação de jovens e adultos.

De acordo com a secretaria Sandra Negrini, a pasta já prepara o edital de inscrição para o EJA, que teria 2022 como ano de transição e avaliação das propostas. A oferta seria concentrada nas escolas Caldas Júnior e Dolaimes Stedile Angeli, que têm o maior número de alunos. Para os alunos que desejam concluir os estudos na proposta atual, a secretaria propõe alternativas com oferta de transporte. Também é proposta que as equipes diretivas das demais escolas não terão mais vice-diretor para o período noturno no período de 2022/2024. O EJA ainda é oferecido nas escolas Guerino Zugno, Rosário, Professor Luciano Corsetti e Presidente Castelo Branco.

A secretaria assinala que mudança amplia as possibilidades, com a oferta, por meio do Sesi, da qualificação profissional. “Esta é uma medida regrada por legislação nacional, alinhada ao cenário atual, que exige qualificação para potencializar a inserção no mercado de trabalho”, reforçou. Frisa que a proposta respeita a decisão de quem deseja continuar na modalidade anterior, ofertada em duas escolas, e abre a possibilidade do estudo nos três turnos, especialmente para os anos iniciais de alfabetização, onde há um grande número com mais dificuldades de saírem à noite.

Sandra Negrini reconhece que a educação deve ser concebida como investimento, mas alerta que quando os resultados não são positivos, torna-se custo. “Quando temos 44% de abandono um ano antes da pandemia, realmente torna-se um custo econômico e social, porque estamos sendo ineficientes naquilo que estamos fazendo”, ponderou. Informou também que, para os 500 alunos teoricamente matriculados neste ano, estão sendo servidas somente 80 refeições por dia. “Muitos se matriculam para atender exigência da empresa onde trabalharão. Apresentam o atestado de matrículas, mas comparecem apenas um ou dois dias às aulas e não vão mais. Então, temos que dar outras perspectivas”, defendeu.

Os números da secretaria indicam que, nos últimos três anos, houve 13% de permanência, 50% de abandono e 2,25% de transferência. Num universo de 700 estudantes, 110 deles concluíram o ensino fundamental e 444 abandonaram. “É um número muito elevado de abandono”, definiu. A assessoria da Smed iniciou reuniões com alunos das escolas que oferecem a modalidade. Foi exposto que poderão escolher, no próximo ano, dentre aulas no Sesi e nas duas escolas do Município.

A Secretaria da Educação dispõe de assessor pedagógico referência para atender as questões específicas da modalidade e promove, mensalmente, reuniões pedagógicas com os coordenadores das seis escolas. Além das formações ofertadas aos professores da rede municipal de ensino, a Smed tem parcerias no desenvolvimento de projetos pedagógicos, como a ação “A união faz a vida”, com apoio do Sicredi, atendendo as seis escolas da modalidade. Também estão em tratativas a oferta de oficinas pela Universidade de Caxias do Sul e pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul.

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Foto por Letícia Klering, Câmara de Vereadores

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